"Precisamos de um maior vigor nas políticas de desenvolvimento científico e
tecnológico. O Brasil se destaca por ser um dos países mais produtivos na
área de pesquisa, mas ainda tem uma dificuldade muito grande para
transformar o desenvolvimento científico básico em bens e serviços para a
população." A afirmação foi feita por Jorge Bittar em palestra realizada na
Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, no dia 9 de março.
A convite do Centro Acadêmico da Engenharia, Jorge Bittar e o deputado
estadual Luiz Paulo Rocha participaram da Semana de Recepção de Calouros e
analisaram as perspectivas da engenharia nacional e o mercado de trabalho
para os futuros engenheiros. A palestra teve como mediador o presidente do
Centro Acadêmico da Engenharia, Miguel Fernandez y Fernandez.
De acordo com Jorge Bittar, o grande desafio brasileiro, ao lado de
fortalecer a pesquisa, é o de construir parcerias entre as universidades e
os setores público e privado. Ele lembrou que já existem fundos setoriais de
desenvolvimento científico e tecnológico, que são estruturas de
financiamento de longo prazo. Lembrou também que já existe uma nova lei,
aprovada no governo Lula - a Lei da Inovação - que tem dispositivos que
permitem parcerias entre as universidades e empresas privadas para
transferências de conhecimento.
Bittar ressaltou, contudo, que é preciso ter foco no desenvolvimento
tecnológico. Segundo ele, o Brasil precisa ter excelência em algumas áreas
do conhecimento e do desenvolvimento tecnológico. "Há momentos em que as
tecnologias evoluem de tal forma que produzem rupturas e fatos novos. Um
exemplo é a atual discussão sobre a TV digital, que implica investimentos de
R$ 15 bilhões ao longo dos próximos anos. Essa é uma oportunidade para se
fortalecer o desenvolvimento científico e tecnológico da indústria
brasileira, não só para o mercado interno mas para o internacional também" -
disse Jorge Bittar. "Portanto, entender a necessidade de se trabalhar alguns
nichos de mercado é absolutamente fundamental."
Na opinião de Bittar, o Brasil precisa construir grandes empresas que tenham
massa crítica, a exemplo da Embraer, para poder disputar o mercado
mundial. "É dessa forma que nós vamos criar um ambiente de trabalho que seja
muito mais atrativo e motivador para os futuros engenheiros e técnicos e, ao
mesmo tempo, construir um país que dê muito mais orgulho a todos nós, um
país que não tenha os problemas sociais gravíssimos pelos quais o Brasil
ainda passa e que fortaleça cada vez mais sua democracia" - afirmou Bittar.
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