Governo estuda uma PPP para expandir banda larga
Matéria publicada pelo Valor Econômico, edição de 04 de junho de 2007
Heloisa Magalhães Bittar, relator na Câmara das propostas de revisão das leis
para o setor , defende os recursos do Fust na expansão da
banda larga
O governo federal está revendo o plano de criar uma rede
estatal nacional de banda larga . A proposta de reviver a
Eletronet está morrendo. A idéia agora é montar uma Parceira
Público Privada (PPP), onde a inciativa privada proveria
serviços nas regiões onde já têm cobertura e seria instalada
uma outra nas áreas ainda sem infra-estrutura . O objetivo é
levar a banda larga às escolas e todos os municípios
brasileiros , disse o chefe do Núcleo dos Assuntos
Estratégicos da Presidência da República (NAE), Coronel
Oswaldo Oliva Neto .
Ele é um dos responsáveis pela elaboração do projeto do
governo federal de inclusão digital . O coronel participou do
encontro promovido pela Telebrasil, realizado no final de
semana , na Costa do Sauípe, na Bahia. A entidade reúne
operadoras e fabricantes de equipamentos de telecomunicações
e promoveu um encontro com os principais executivos do setor .
A idéia foi propor formas de universalizar a banda larga ,
aumentar a cobertura e levar às áreas mais carentes . E, em
paralelo , abrir espaço para operadoras e fabricantes
ampliarem os negócios . A banda larga é um dos segmentos mais
promissores do setor . Hoje , com cerca de 6 milhões de
assinantes cobre apenas 300 municípios do país , exatamente
aqueles onde está concentrada a população de maior poder
aquisitivo.
A rede da Eletronet tem 16 mil quilômetros de fibras
ópticas . A empresa criada pela AES Bandeirante
Empreendimentos no auge da bolha da internet faliu em 2003 e
o objetivo , quando foi criada , entre 1999 e 2000, era vender
serviços de transmissão de dados em alta velocidade . Mas
para ser utilizada faltam investimentos , inclusive na
chamada última milha , aquela que leva o cabo nos pontos de
utilização . Há avaliações que seriam necessários R$ 1 bilhão .
Paro o coronel Oliva , a questão principal é que para
recuperar a rede da Eletronet seria criada uma espécie de
Tratado de Tordesilhas. A rede atenderia apenas o lado rico
do Brasil. "A maioria dos alunos está no lado rico mas
queremos atender o outro lado , onde mesmo com menos
habitantes estão 60% das escolas do pais . Queremos
interligar as 170 mil escolas . O governo só será obrigado a
criar rede onde não tiver. Mas vamos começar o projeto onde
já tem infra-estrutura ", disse.
O governo federal mostrou que quer apressar o projeto . Há
cerca de um mês , o presidente Lula nomeou Cezar Alvarez como
coordenador dos projetos de inclusão digital que envolve
onze ministérios . Ele também está à frente do projeto que
prevê a compra de PCs portáteis para os alunos da rede
pública . Uma primeira licitação , de 170 mil unidades , está
sendo preparada . E, em paralelo , os termos da PPP para a
rede serão lançados já no segundo semestre , com recursos
para o projeto compartilhados entre governo e iniciativa
privada .
Onde buscar recursos para esse amplo projeto se tornou a
grande indagação entre as operadoras presentes ao encontro .
Como , também , como trazê-las para essa proposta garantindo o
retorno dos investimentos . O deputado federal Jorge Bittar
(PT-RJ), relator na Câmara das propostas de revisão das leis
para o setor de telecomunicações e radiofusão, disse que
vários passos foram dados no sentido avançar na proposta .
Mas no encontro cresceu a sensação de que os R$ 6 bilhões
que as operadoras já contribuíram para o Fundo de
Universalização das Telecomunicações (Fust) não retornariam
ao setor . Bittar chegou a apoiar essa sensação mas depois
procurou olhar o futuro . Ele lembrou que o Senado aprovou,
por unanimidade, alterações na legislação que vinculava a
utilização dos recursos do fundo à universalização dos
serviços de voz . Agora , falta passar na Câmara dos Deputados
e, com a alteração, os recursos poderão ser voltados para a
universalização da banda larga .
O assunto era Brasil Digital mas não houve discussões de
estratégias para o setor . O interesse das operadoras não é
apenas nas formas de ampliar o mercado de banda larga como
alternativa à estagnada demanda por telefonia fixa . O evento
tornou-se cenário para cobranças à Anatel, por demora nas
definições de utilização de novas tecnologias e abriu espaço
para discussão em torno da presença das teles na oferta de
televisão por assinatura .
Governo costura acordo entre teles e radiodifusão
Matéria publicada pelo Folha de S. Paulo, edição de 04 de junho de 2007 Projeto também pode permitir controle estrangeiro nos canais por assinatura
Segundo proposta , empresas de telefonia podem oferecer o chamado "triple play", serviço de internet , voz e TV a cabo em um mesmo pacote
ELVIRA LOBATO
ENVIADA ESPECIAL A COSTA DO SAUÍPE (BA)
Começa a ser costurado na Câmara dos Deputados um acordo para por fim à guerra das companhias telefônicas com empresas de TV paga e de radiodifusão e permitir que as teles ofereçam voz , internet e TV por assinatura no mesmo pacote de serviços , o chamado "triple play". Hoje , a legislação as impede de oferecer TV a cabo em suas áreas de concessão .
A negociação é encabeçada pelo deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ), relator do anteprojeto de lei em elaboração . No encerramento do 51º Painel Telebrasil, sábado , na Costa do Sauípe (BA), que reuniu presidentes das concessionárias de telefonia fixa e de parte das operadoras de celular , as teles pediram negociação de parcerias e " pacto de ganha-ganha" com os radiodifusores.
"Temos de nos aliar aos radiodifusores, em vez de confrontar ", discursou o presidente da Brasil Telecom Ricardo Knoepfelmacher. Mas alguns pontos da proposta devem suscitar críticas de provedores independentes de acesso à internet e de TV por assinatura .
O projeto abre caminho para as teles oferecerem TV por assinatura em qualquer tecnologia e para o fim da exigência de controle de capital nacional nas operações de TV a cabo .
Segundo Bittar, o acordo incluiria também negociações para permitir que as teles ofereçam acesso à internet em banda larga , com conexão sem fio , o chamado Wimax. A licitação para venda de licenças do Wimax está parada desde 2006 porque as teles, impedidas de comprar licenças dentro de suas áreas de concessão de telefonia fixa , foram à Justiça .
As principais interessadas no acordo são Telefônica , Telemar ( Oi ), Brasil Telecom e TVA. A Embratel já é acionista da Globo na Net Serviços , maior operadora de TV a cabo do país , e possui licenças para o Wimax.
A Globo é peça principal para a costura do acordo , por ser a maior empresa de radiodifusão do país e acionista controladora da Net. Um executivo das Organizações Globo confirmou que há conversas para um acordo com Bittar, mas disse que a discussão está no início . Já o deputado informou que membros da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara estiveram no Projac. Segundo Bittar, o objetivo é aprovar a lei antes do final do ano .
Um outro sinal de que há uma aproximação entre teles e radiodifusão foi a participação do presidente da Brasil Telecom no congresso da Abert ( Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão ), há uma semana , onde ele também falou em parceria .
Pauta do acordo Segundo Jorge Bittar, o acordo seria um impulso para retomar investimentos no setor , e reativar encomendas das indústrias de equipamentos . Segundo ele , a discussão passa pela seguinte pauta :
1) Conteúdo e distribuição : seria assegurado que a produção e programação de canais de conteúdo nacional ficariam sob controle de brasileiros . Discute-se a criação de quotas para programas regionais e para produções independentes .
2) Canais abertos : as emissoras de televisão seriam remuneradas por sua programação exibida na TV paga . Hoje , a lei obriga a distribuição gratuita dos canais locais de TV.
3) Canais esportivos : as programadoras seriam obrigadas a oferecer os canais a todas as operadoras de TV paga , sem exclusividade . A medida está em sintonia com a decisão do Cade, que obrigou a Globosat a oferecer seus canais esportivos às concorrentes da Net.
4) Capital nacional : cairia a obrigação de controle de capital nacional na prestação do serviço de TV a cabo , e as teles seriam liberadas para oferecer TV por assinatura por qualquer tecnologia . A exigência de controle nacional ficaria restrita à produção e programação do conteúdo .
5) Banda Larga : seria liberada a oferta de banda larga com conexão sem fio para as teles, dentro de suas áreas de concessão de telefonia fixa , em um cronograma a ser estabelecido.
A repórter ELVIRA LOBATO viajou a convite da Associação Telebrasil |