O deputado Jorge Bittar (PT/RJ) acredita
que é possível fechar um acordo
entre teles e radiodifusores que garanta uma rápida
tramitação do Projeto de Lei 29/2007,
que trata do sistema de produção,
empacotamento e comercialização
de conteúdos audiovisuais. O parlamentar
declarou, na quarta-feira (05 de março
de 2008), durante o 2º Acel Expo Fórum,
que trabalhará para que a proposta termine
sua tramitação na Câmara dos
Deputados e no Senado Federal ainda no primeiro
semestre deste ano.
"Se conseguirmos fechar um consenso na Comissão
de Comunicação, a matéria
tramita mais rápido", afirmou. "Eu
sempre digo que no Congresso as coisas podem levar
dez anos ou dez segundos para serem aprovadas.
Depende do grau de consenso político",
completou.
Para garantir esse consenso, Bittar voltou a
reunir-se com os diversos representantes das empresas
de telecomunicações e de radiodifusão.
O deputado vê avanço nas conversas
e pretende apresentar seu novo substitutivo pronto
entre os dias 15 e 20 de março. A escolha
exata da data dependerá da rapidez em conseguir
um entendimento entre os interessados na proposta.
O objetivo é votar o novo texto após
a Semana Santa.
Bittar também terá outros compromissos
políticos em meio à negociação
do PL 29. Nesta segunda-feira (10 de março
de 2008), o deputado viaja para o Chile na comitiva
do ministro das Comunicações, Hélio
Costa. O objetivo da viagem será tentar
convencer o país vizinho a optar pelo padrão
nipo-brasileiro de TV digital, dando início
ao projeto do governo de transformar a opção
brasileira no padrão da América
do Sul. O Chile já havia optado pelo padrão
norte-americano, mas estaria disposto a conversar
sobre o modelo brasileiro.
Parceria
Durante o debate no Acel Expo Fórum, os
representantes da TIM e da Globo, presentes à
mesa redonda com Bittar, mostraram que, ao menos
no discurso, os dois pólos estão
de acordo em relação ao papel que
cada um terá no cenário convergente.
Os dois setores usam a palavra "parceria"
para sintetizar o método de negócios
daqui para a frente, deixando claro que não
há, à primeira vista, a intenção
de uma verticalização das duas cadeias.
"Vemos que existirá uma integração
entre as operadoras de telecom e as empresas de
mídia", afirmou Renato Ciuchini, diretor
de planejamento estratégico da TIM. "Mas
a experiência mundial mostra que o caminho
da unificação não gerou bons
resultados", completou, citando como exemplo
a aquisição e posterior venda da
Endemol pela Telefónica.
Para Carlos Brito, da direção de
engenharia da TV Globo, cada ramo terá
o seu papel específico no cenário
convergente. "A telefonia móvel é
complementar à TV digital. O que a telefonia
celular pode fazer, nós não podemos
fazer de forma economicamente viável. E
o que a TV digital é capaz de fazer, as
móveis não fazem de forma economicamente
viável", avaliou o executivo. Para
Brito, as celulares têm uma tendência
de conseguir distribuir conteúdo com preços
cada vez menores, por conta dos ganhos de escala.
Mas o know how para a produção destes
conteúdos ainda é um nicho das radiodifusoras.
Ainda segundo Brito, não há uma
preocupação entre as grandes produtoras
de conteúdo em adaptar os programas veiculados
atualmente para um formato mais adequado à
recepção móvel. "Eu
vejo que sempre se usa a Europa como exemplo e
me preocupo. A televisão na Europa é
ruim; é horrível. O povo europeu
odeia televisão. E isso não acontece
no Brasil. A nossa televisão é muito
boa", afirmou. "Nós não
temos essa preocupação. Achamos
que o nosso conteúdo como está hoje
é muito atrativo."
Para o presidente da consultoria Spectrum, João
Santelli Jr., o diálogo entre esses dois
setores é importante e atual, já
que empresas do mundo todo têm apostado
nessa parceria para otimizar seus ganhos e oferecer
produtos mais em conta para os consumidores. "Nós
acreditamos que o nosso caminho será mais
lento, mas semelhante ao que está ocorrendo
no resto do mundo", avaliou.
Mariana Mazza - TELA VIVA News
www.telaviva.com.br
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